sexta-feira, 17 de abril de 2015
sábado, 16 de julho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Ao teu lado as manhas são perfeitas, os céus descobrem-se, as nuvens extinguem-se num manto de fome de poço sem fundo, onde fiel peregrino rastejas nos meus abismos sinuosos e perdes-te nas montanhas intermináveis do meu corpo, espantosamente isento de ontens… Devoto-me por inteiro aos teus olhos sedentos por me abrir e matar-me de desejo de rio que nasce nos oceanos e termina na fonte desidratada. A tua chave encaixa como jamais alguém entrou e abre portas para mundos de roseirais imaculados, agora desvirginados, desflorados incessantemente, entre pétalas de cores impensáveis… Atinges-me como sonhei ser impossível e afogas-te no beijo que nos derrete até untar os nossos corpos… percorres o meu desenho que só se vê no teu e cruzas os meus passos, que já são os teus, que sempre foram… E somos Nós! Não há mais nada a transparecer a não ser o instante em que os teus olhos tocam nos meus e entregam-se livremente outra vez…
Inútil!
Chegas e rasgas o tecido
Da vontade apertada,
Asfixiada
E completas-me
Em noites sem manhãs…
Devoras-me inteira
E terminas todos os anseios que iniciam.
Fazes-me tua como sempre fui
E fechas a porta atrás de ti
Porque sabes que não há mais ninguém.
Eu guardo-te mais dentro, bem dentro
Para nunca mais saíres….
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Porque ninguém sabe que eu sonho com tardes inteiras passadas num banco de jardim, contigo deitado no meu colo, com a tua cabeça pousada no meu corpo calmo e sereno, a recitar poesia interminável a ouvidos sedentos de palavras que fazem sentido só para nós... Porque ninguém sabe que és um estranho em mim, um estranho invisível mas que vejo tão bem e sei de cor, como a mim mesma... E estás em mim como nunca esteve ninguém... Porque ninguém sabe que vivo à tua espera e da janela que esteve sempre aberta, nao vem ninguém... ninguém...
Outra vez na berma da estranha,
Nessa tão conhecida e percorrida estrada
Onde fiz das pedras que pisei,
Escadas para um novo céu
Que nunca cheguei a ver...
E volto ao inicio, como eterno ciclo que a terra tem,
Mas para quê afinal?
Para quê começar se vejo tudo a acabar,
A ruir, a destroçar?
Nada! Nada chega para alimentar o teu ego
Que me devorou inteira
E me desfez em pedaços triturados lentamente
Em meios termos torturados, arrancados a força
Onde me enforquei num silêncio de mágoa interminável ...
Pling! tic-tac partido, atirado para um poço vazio...
Fundo... demasiado fundo... demasiado...
E agora que tentas entrar de mansinho
Fecho-te a porta na cara,
porque já não suporto nada em ti
Já nada te traz de volta, não a ti,
Quem eu sempre quis...
E é suposto olhar para ti?
Não consigo olhar sem ver
E em ti já não vejo nada...
Já não és nada...
Só um outrora gasto que iludiu o agora...
Um agora de rastos...
Um agora sem amanhãs...