sexta-feira, 17 de abril de 2015



Sentaste-te ao meu lado e viste-me sem querer ver... as tuas palavras sopraram no meu ouvido, fechando-me os olhos...
Já não preciso de ver, os teus pés indicam-me o caminho, as tuas mãos convidam-me para novos mundos sem portas para abrir ou fechar...
Acolhes-me no teu abraço e os meus pés levantam-se, o chão é pesado demais...
E por breves momentos é como se não houvesse algo mais por que respirar, porque sinto tudo em ti... e chego a cobiçar cada inspirar e expirar que leva o ar que circula dentro de ti, cada gota de suor que percorre as tuas formas demoradamente, cada lágrima que cai no teu rosto e as pequenas forasteiras que chegam aos teus lábios carmesim...
Até ao ponto de ser as teclas que tocas para escrever, dura ou suavemente, e cada letra que forma palavras que escondem o teu sorriso...
Perdi-me na inocência dos teus gestos sobre mim e calei-me perante a tua sensatez de noites que não esperam amanhãs...
O teu silêncio habita o meu, em amontoados de vidas, cores, palavras, universos que se tocaram sem tradução...
O meu corpo estremece e dói por te ter, por te ter assim...
Não há fruto que sacie, palavra que o abarque, sono que o abate, alma que o despregue de mim...

sábado, 16 de julho de 2011

Mas como posso lembrar-me de ti se só se lembra de quem se esquece?

E como posso esquecer-te se só se esquece de quem está ausente?

Mas Tu… Tu que estás tão presente… tão imponente dentro de mim…

Como posso lembrar-me de ti se nunca te esqueci?...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ao teu lado as manhas são perfeitas, os céus descobrem-se, as nuvens extinguem-se num manto de fome de poço sem fundo, onde fiel peregrino rastejas nos meus abismos sinuosos e perdes-te nas montanhas intermináveis do meu corpo, espantosamente isento de ontens… Devoto-me por inteiro aos teus olhos sedentos por me abrir e matar-me de desejo de rio que nasce nos oceanos e termina na fonte desidratada. A tua chave encaixa como jamais alguém entrou e abre portas para mundos de roseirais imaculados, agora desvirginados, desflorados incessantemente, entre pétalas de cores impensáveis… Atinges-me como sonhei ser impossível e afogas-te no beijo que nos derrete até untar os nossos corpos… percorres o meu desenho que só se vê no teu e cruzas os meus passos, que já são os teus, que sempre foram… E somos Nós! Não há mais nada a transparecer a não ser o instante em que os teus olhos tocam nos meus e entregam-se livremente outra vez…

Inútil!

Chegas e rasgas o tecido

Da vontade apertada,

Asfixiada

E completas-me

Em noites sem manhãs…

Devoras-me inteira

E terminas todos os anseios que iniciam.

Fazes-me tua como sempre fui

E fechas a porta atrás de ti

Porque sabes que não há mais ninguém.

Eu guardo-te mais dentro, bem dentro

Para nunca mais saíres….

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Porque ninguém sabe que eu sonho com tardes inteiras passadas num banco de jardim, contigo deitado no meu colo, com a tua cabeça pousada no meu corpo calmo e sereno, a recitar poesia interminável a ouvidos sedentos de palavras que fazem sentido só para nós... Porque ninguém sabe que és um estranho em mim, um estranho invisível mas que vejo tão bem e sei de cor, como a mim mesma... E estás em mim como nunca esteve ninguém... Porque ninguém sabe que vivo à tua espera e da janela que esteve sempre aberta, nao vem ninguém... ninguém...

Outra vez na berma da estranha,

Nessa tão conhecida e percorrida estrada

Onde fiz das pedras que pisei,

Escadas para um novo céu

Que nunca cheguei a ver...

E volto ao inicio, como eterno ciclo que a terra tem,

Mas para quê afinal?

Para quê começar se vejo tudo a acabar,

A ruir, a destroçar?

Nada! Nada chega para alimentar o teu ego

Que me devorou inteira

E me desfez em pedaços triturados lentamente

Em meios termos torturados, arrancados a força

Onde me enforquei num silêncio de mágoa interminável ...

Pling! tic-tac partido, atirado para um poço vazio...

Fundo... demasiado fundo... demasiado...

E agora que tentas entrar de mansinho

Fecho-te a porta na cara, 

porque já não suporto nada em ti

Já nada te traz de volta, não a ti,

Quem eu sempre quis...

E é suposto olhar para ti?

Não consigo olhar sem ver

E em ti já não vejo nada...

Já não és nada...

Só um outrora gasto que iludiu o agora...

Um agora de rastos...

Um agora sem amanhãs... 

Vem... vem devagarinho

 E deixa pegadas no meu caminho...