Feridas abertas,
Como portas escancaradas
À espera de alguém que nunca vem,
Como pus que não parece cicatrizar...
Eras veludo
No meio de tanta pele seca
Mas só te via sem te tocar
Sem perceber que és pedra
Como toda a rua
Que se pisa sem nunca olhar.
Acreditei que granito podia ser seda,
Lutei pelos tecidos
Dos teus afectos
Para agora só restar os dejectos,
Meias rotas
De sapatos furados.
E dedos gastos
De unhas cortadas
Rasgam as peles velhas,
Magoadas
Porque até uma nova pele
Sempre vem...
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