sábado, 3 de outubro de 2009

Feridas abertas,

Como portas escancaradas

À espera de alguém que nunca vem,

Como pus que não parece cicatrizar...

Eras veludo

No meio de tanta pele seca

Mas só te via sem te tocar

Sem perceber que és pedra

Como toda a rua

Que se pisa sem nunca olhar.

Acreditei que granito podia ser seda,

Lutei pelos tecidos

Dos teus afectos

Para agora só restar os dejectos,

Meias rotas

De sapatos furados.

E dedos gastos

De unhas cortadas

Rasgam as peles velhas,

Magoadas

Porque até uma nova pele

Sempre vem...

 

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