quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Desmonta-me!

Vê-me peça a peça detalhadamente

E inocentemente

Encaixa-me uma e outra vez

Até te fazer sentido...


Sou grafite no teu crayon

De riscas pretas e brancas

Para aguçares repetidamente

No teu ouvido

(para o qual uivo em noites brandas...)

E marcador fluorescente

Que sublinha todas as tuas formas

Demoradamente

Sem deixar nada por ver...

Mas, se tudo for sublinhado

Nada está então sublinhado,

Nada está marcado em ti.

Então apago-me dolorosamente

Até te ver integralmente

E, sem me ver a mim,

Olhar para ti

Como Principio

E nunca como fim... 

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Aspirava a ser poente em alguém
Até que o meu sol se pôs 
Nos teus lábios 
Que gastam e desgastam 
Palavras de amor por cumprir.
Mas não te aflijas,
Que neste devir
Todos somos Amor-Sem,
Uns pobrezinhos iludidos
Pela Quimera dos Pardais
A cantar o sentimento
Que nutrem por ninguém. 
Fingem tormentos e vendavais
Aclamam o voltejar 
Das asas das borboletas
E incendeiam-nas 
Imediatamente a seguir.
Já sinto o teu cieiro
Queimar as minhas pétalas,
Agora pisadas, desfolhadas,
A esta hora mortas no chão.
Mas varro os restos
E atiro-os aos céus
Libertos de emoção
Para caírem em novos desertos.
E Grãos de areia incertos
Envolvem esses restos
Em gestos ressequidos
Que se multiplicam
Em vãos difíceis de conter...
Mas hão-de juntar-se ao Vento
Forte e Violento
E nunca mais um grão irá cair.


domingo, 1 de novembro de 2009

Desencontrei-me nos meus próprios passos,

Fiquei à espera dos teus

Como farol que guia na noite fria

Mas os teus sapatos não me serviam

E pus-me descalça a correr em vão

Entre meios mundos,

Que o tempo em mim é diferente

E passa devagar

Mesmo sem travão...

E o teu vagar é longe

É miragem para mim

Então encolhes os teus para caberem nos meus

E cruzamo-nos e entrecruzamo-nos

Repetidamente

Até doer...

E nada mais há a perder.

Os teus olhos vêem-se nos meus

Que tudo é espelho do que é imortal

E sabes que é irreversível

Como ar que se parte como cristal

tão leve, tão frágil, tão sensível;

Numa ânsia desajeitada

Os teus lábios encontram-se nos meus

Nos nossos momentos de céu intemporal

O teu corpo pousa no meu

Num movimento celestial,

Despidos de outroras

Em passos soltos...

Que amar é libertar

É deixar voar quem é feito para sonhar

E mesmo que os nossos mundos

Sejam o mesmo irrevogavelmente,

Não sou âncora, não sou porto,

Sou asa naturalmente,

Céu para explorares

Abismo para caíres

E te encontrares...