terça-feira, 16 de março de 2010

Há momentos vizinhos de tudo o que esperei

Que nunca chegaram a ser...

Palavras que raspam a minha pele velha

De expectativas auto confirmatórias

Onde a minha voz se arrasta

imperceptivelmente...


Há dias assim...

Dias em que os nossos olhos

São como janelas fechadas,

Os nossos ouvidos retretes de insanidades,

Incursões e hostilidades.

Dias em que o ar perde-se contigo,

Desmaiado de vitalidade

Desfalecido no mofo da podridão

Humana e mesquinha,

Do vaivém inútil diário,

Onde o cheiro e’ sempre

O mesmo invariavelmente...

Até que os teus lábios são o sofá

Onde pouso os meus,

Num conforto egoísta e desmazelado,

Dor autista e conformista

Que já não espera mais nada além de dor...

Orgulho magoado por choro consentido,

Amor ignorado num beijo fingido,

Desespero controlado

Continuamente...