Há momentos vizinhos de tudo o que esperei
Que nunca chegaram a ser...
Palavras que raspam a minha pele velha
De expectativas auto confirmatórias
Onde a minha voz se arrasta
imperceptivelmente...
Há dias assim...
Dias em que os nossos olhos
São como janelas fechadas,
Os nossos ouvidos retretes de insanidades,
Incursões e hostilidades.
Dias em que o ar perde-se contigo,
Desmaiado de vitalidade
Desfalecido no mofo da podridão
Humana e mesquinha,
Do vaivém inútil diário,
Onde o cheiro e’ sempre
O mesmo invariavelmente...
Até que os teus lábios são o sofá
Onde pouso os meus,
Num conforto egoísta e desmazelado,
Dor autista e conformista
Que já não espera mais nada além de dor...
Orgulho magoado por choro consentido,
Amor ignorado num beijo fingido,
Desespero controlado
Continuamente...
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