sábado, 16 de julho de 2011

Mas como posso lembrar-me de ti se só se lembra de quem se esquece?

E como posso esquecer-te se só se esquece de quem está ausente?

Mas Tu… Tu que estás tão presente… tão imponente dentro de mim…

Como posso lembrar-me de ti se nunca te esqueci?...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ao teu lado as manhas são perfeitas, os céus descobrem-se, as nuvens extinguem-se num manto de fome de poço sem fundo, onde fiel peregrino rastejas nos meus abismos sinuosos e perdes-te nas montanhas intermináveis do meu corpo, espantosamente isento de ontens… Devoto-me por inteiro aos teus olhos sedentos por me abrir e matar-me de desejo de rio que nasce nos oceanos e termina na fonte desidratada. A tua chave encaixa como jamais alguém entrou e abre portas para mundos de roseirais imaculados, agora desvirginados, desflorados incessantemente, entre pétalas de cores impensáveis… Atinges-me como sonhei ser impossível e afogas-te no beijo que nos derrete até untar os nossos corpos… percorres o meu desenho que só se vê no teu e cruzas os meus passos, que já são os teus, que sempre foram… E somos Nós! Não há mais nada a transparecer a não ser o instante em que os teus olhos tocam nos meus e entregam-se livremente outra vez…

Inútil!

Chegas e rasgas o tecido

Da vontade apertada,

Asfixiada

E completas-me

Em noites sem manhãs…

Devoras-me inteira

E terminas todos os anseios que iniciam.

Fazes-me tua como sempre fui

E fechas a porta atrás de ti

Porque sabes que não há mais ninguém.

Eu guardo-te mais dentro, bem dentro

Para nunca mais saíres….