sexta-feira, 17 de abril de 2015



Sentaste-te ao meu lado e viste-me sem querer ver... as tuas palavras sopraram no meu ouvido, fechando-me os olhos...
Já não preciso de ver, os teus pés indicam-me o caminho, as tuas mãos convidam-me para novos mundos sem portas para abrir ou fechar...
Acolhes-me no teu abraço e os meus pés levantam-se, o chão é pesado demais...
E por breves momentos é como se não houvesse algo mais por que respirar, porque sinto tudo em ti... e chego a cobiçar cada inspirar e expirar que leva o ar que circula dentro de ti, cada gota de suor que percorre as tuas formas demoradamente, cada lágrima que cai no teu rosto e as pequenas forasteiras que chegam aos teus lábios carmesim...
Até ao ponto de ser as teclas que tocas para escrever, dura ou suavemente, e cada letra que forma palavras que escondem o teu sorriso...
Perdi-me na inocência dos teus gestos sobre mim e calei-me perante a tua sensatez de noites que não esperam amanhãs...
O teu silêncio habita o meu, em amontoados de vidas, cores, palavras, universos que se tocaram sem tradução...
O meu corpo estremece e dói por te ter, por te ter assim...
Não há fruto que sacie, palavra que o abarque, sono que o abate, alma que o despregue de mim...